Saúde lança Rede para análises e pesquisas na linha dos insumos agrícolas

Nielcem Fernandes/Governo do Tocantins

Rede é fruto de parceria entre Secretaria da Saúde, Ministério Público do Trabalho, Universidade Federal do Tocantins e o Fórum Tocantinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos


A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Superintendência de Vigilância de Promoção e Proteção a Saúde, lançou na manhã dessa quinta-feira, 8, a Rede Analítica de Pesquisas em Produtos Químicos Agrícolas (PQA) da Região Centro-Norte do Brasil, com o objetivo de discutir, estimular, apoiar e participar em ações de pesquisas científicas, análises químicas, projetos de levantamentos de dados, de transição agroecológica, de promoção da saúde dos trabalhadores e dos ambientes que envolvam PQA, no Distrito Federal, nos estados do Tocantins, Mato Grosso, Rondônia e outros da região Centro-Oeste e Norte do Brasil, que vierem a fazer parte desta rede.

A secretaria da Saúde recebeu um veículo doado pelo Ministério Público do Trabalho para o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), com o intuito de apoiar na realização das ações de vigilância com foco na saúde do trabalhador, realizado pelo Cerest.

Rede PQA

“Nós estamos lançando hoje [quinta, 8], a Rede Analítica de Pesquisa em Produtos Químicos Agrícolas e, em breve, formalizaremos os termos de cooperação técnica. O intuito da Rede é realizar análises e pesquisas na linha dos insumos agrícolas para conhecermos a realidade do cenário tocantinense e consequentemente realizar um trabalho com a população que está exposta a esses produtos. Não estamos falando apenas de agrotóxicos. Estamos levando em consideração os fertilizantes e insumos. Uma vez detectada a exposição dos trabalhadores aos agrotóxicos existem maneiras de intervir, reduzir ou até mesmo eliminar os impactos na saúde do trabalhador, melhorando a sua qualidade de vida”, explicou a diretora de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador, Adriana Feitosa.

A Rede é fruto de uma parceria entre Secretaria do Estado da Saúde, Ministério Público do Trabalho, Universidade Federal do Tocantins e o Fórum Tocantinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos.

Parcerias

O presidente do Fórum Tocantinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, o promotor da 10ª Procuradoria de Justiça do Ministério Público Estadual, José Maria da Silva Júnior, ressaltou que encontros trimestrais são realizados para discutir as temáticas em torno dos impactos na saúde dos trabalhadores e no meio ambiente, no sentido de garantir os direitos constitucionais. “Apesar de pouco tempo de criação do fórum, muita coisa já foi feita. Porém, ainda há muito a fazer. O Tocantins é um Estado agrícola, dentro do panorama do Brasil, que tem como uma das suas principais atividades a agricultura. É preciso saber dosar as coisas para que se respeite os direitos previstos na constituição, como o direito a saúde, a um meio ambiente ecologicamente equilibrado e os direitos sociais. É nesse contexto que o fórum está atuando. É preciso haver um equilíbrio entre a necessidade de produção e os direitos constituídos por lei” justificou.

A Universidade Federal do Tocantins é parceira da Rede PQA e fornece os dados de pesquisa para o desenvolvimento de ações de prevenção e combate dos impactos causados pelos diversos tipos de insumos agrícolas. O Professor e doutor Emerson Guarda, do curso de Engenharia Ambiental, afirmou que o papel da Universidade é contribuir para a consolidação de uma estrutura que forneça dados técnicos e científicos aos demais parceiros. “A nossa função e colaboração é na parte técnica das análises desses compostos químicos para montar uma estrutura que atenda as necessidades dos outros parceiros da rede”, relatou.

Emerson Guarda revelou que a universidade já avançou no campo das pesquisas desses compostos. “Temos pesquisas no nível de graduação e pós-graduação. Ainda não são resultados amplos e conclusivos, mas estamos evoluindo. Agora estamos buscando ampliar esses resultados com amostras que nos são demandadas como água, solo e até mesmo em relação aos trabalhadores para dar uma resposta melhor à sociedade em geral. Pretendemos mostrar se há contaminação e quais são esses níveis à que estamos expostos”, ressaltou.

Outro componente importante no desenvolvimento do trabalho da Rede é o Ministério Público do Trabalho. Para a procuradora Maria Nely Bezerra, o combate aos impactos desses insumos à saúde do trabalhador é de extrema importância. “O uso do agrotóxico é uma situação que preocupa o Ministério Público. Uma de nossas funções dentro da Rede é apontar matérias de interesse para o desenvolvimento de pesquisas por que é a partir dessas pesquisas que poderemos conseguir dados e informações para subsidiar a nossa atuação” pontuou.

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